Portugal já não é, de novo, terra de gente\"
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OPINIÃO Cultura - DILEMAS DO JORNALISMO - por ELAINE TAVARES, jornalista.
"Já para os empresários da comunicação, pensar é coisa perigosa. Jornalista precisa saber o mínimo da técnica e ter o máximo de domesticação. Sem maiores compreensões sobre as forças que regem o mundo capitalista de produção, os estudantes dos cursos de jornalismo saem das salas de aula direto para os "matadouros" empresariais levando na bagagem o aprendizado da técnica e da ideologia dominante." Cultura - AS CIDADES E AS SUAS PERIFERIAS - por OTÁVIO MARTINS, jornalista.
Otávo Martins mostra um pouco da cidade-ficção que se transformou Bagé/RS. Ou, como ele escreve: "E dizer que os últimos prefeitos são pessoas que chegaram à cidade, sem eira e nem beira. Que eu me recorde, além de atividades das mais modestas, só cursaram a carreira política. Será que a profissão de político é, assim, rentável e tão rápida para o distanciamento humano de um indivíduo?" Geral - ACAMPA SAMPA/OCUPA SAMPA - Marcio Moretto Ribeiro
"Algumas vezes somos confundidos com movimentos direitistas contra a corrupção. Evidentemente que somos contra corrupção, mas esse tema nem surge em nossos manifestos ou meios de divulgação. Quando gritamos "Não nos representam!" não é que um ou outro político não nos representa, mas que o sistema político não é capaz de nos representar. Soma-se a isso a compreensão de que a corrupção é inerente ao sistema capitalista, ela é apenas uma face do capitalismo mais frequente em países periféricos. Dessa forma, a luta contra a corrupção entra somente como efeito colateral daquilo pelo que lutamos." Cultura - EL CHE: CURA E LIBERTAÇÃO - Raul Fitipaldi
"Durante 44 anos, os pobres, e os filhos pobres dos pobres, os ateus pobres e os crentes pobres, em soma: "os majoritários em todos os aspectos", ganhamos um santo, São Ernesto Guevara. A ele e por ele rezamos a cada 8 de outubro. A ele e por ele prometemos defender Nossa América, a ele e por ele juramos lealdade à Pátria Grande de Bolívar, San Martín, Artigas, Martí, Tupac Amaru, Morazán, Juana Azurduy, Manuel Rodríguez, Alfaro, Zumbi e tantos outros." Cultura - AOS CAMINHANTES - Raquel Moysés
"O gurizinho avança o sinal. Está verde para os carros, mas ele segue, sem vacilar, pela faixa de pedestres, enquanto me lança um olhar de quem confia. Parece saber que pode contar com o meu cuidado. Apreensiva, fico vigiando, com medo de que o motorista que vem pelo outro lado da faixa não pare. Isso acontece com frequência, sendo um dos motivos de atropelamento nas ruas povoadas de gente e atoladas de carros. " Cultura - ENCHENTE DE 1911 - UM SÉCULO DEPOIS - Urda Alice Kluger
"Naqueles anos em que eu tinha oito, nove, dez anos, minha avó Emma Katzwinkel Klueger morou na nossa casa, à rua Antônio Zendron 668 " Garcia " Blumenau. Aquela foi a única avó que eu conheci e outras vezes já escrevi sobre ela, uma grande contadora de histórias, um grande achado para uma criança curiosa e ávida de novidades como eu era. Passava horas infindas ouvindo o que ela tinha para contar, e assim acabei aprendendo uma porção de coisas. " CULTURA Geral - A IRMANDADE DA IMPUNIDADE - FAUSTO BRIGNOL
O governo Lula/Dilma, desde que tomou posse, em 2003, tornou-se muito amigo dos militares. É o governo civil que os militares sempre desejaram. Podem pesquisar, podem descobrir, podem divulgar, mas não podem punir. Cultura - Ó NOSSO GENERAL: "A FORÇA NECESSÁRIA?!" - JOSÉ SOLÁ
JOSÉ SOLÁ, escritor português com vários livros editados, destacando-se "GANÂNCIA" estréia no Diógenes com esta bela crônica alusiva à repressão que os "indignados" de Portugal tem sofrido quando de suas manifestações. publicou em jornais diários portugueses na juventude. Trabalhou como operário em diversas áreas, nomeadamente construção naval. Casou, foi técnico de Costrução Civil e Obras Públicas, trabalhou nessa área para o Estado após o periodo revolucionário, foi chefe de departamento nessa área, publicou o romance Ganância, ver www.sitiodolivro.pt, escreveu outro romance, dois livros de contos, e tem em "mãos" mais dois romances. Cultura - TERESA DA PRAÇA - Homero Mattos Jr.
"quando ela começou o gérson disse pra ela não se preocupe com o movimento porque vai ser fácil vai ser sempre a mesma coisa o primeiro vem do florista o segundo do bar e o terceiro do nada. mas né bem desse jeito quénão viu? porque pensa bem ó é comum de acontecer de o primeiro chegar em terceiro o terceiro em segundo e o segundo em primeiro. sei lá acontece muito. bastante. e às vezes acontece também de misturar tudo como quando de que ce pensa quiquem vem do florista é o terceiro mas num é é o segundo e o primeiro aquele que a gente fica rezando pra num beber é justamente o que bebe. interessante né? isso sem falar dos bichinho de pelúcia e das mostração de relógio. vish! quanto aos do nada bem do nada como a gente sabe do nada vêm todos. mas isso num chega a ser problema não. horrível é quando vem aquela perguntinha de exibição disfarçada de atenção carinhosa foi bom pra você?..." Cultura - CHEGANDO AO PACÍFICO - Urda Alice Klueger
"Sem fôlego, embasbacada, dei-me conta do que estava acontecendo: em poucos dias viéramos do Atlântico ao Pacífico em duas rodas, atravessando as planícies argentinas, a Cordilheira dos Andes e tantas outras coisas, sem nenhum incidente que tivesse nos prejudicado, numa aventura que começara muito tempo atrás, quando seu Chico empezara[1] a me convidar para aquela viagem." Cultura - A IDADE MÍDIA - HOMERO MATTOS Jr.
"As notas curtas provaram ser exatamente aquilo que um novo público -de educação rudimentar, em busca de informação condensada e facilmente assimilável- queria. (...) eram eles que iriam formar o mercado para os bens de consumo barato. Todas as notícias e artigos eram curtos. As reportagens políticas eram reduzidas a pequenas notícias meramente informativas ou sensacionais. (...) Um grande espaço vinha dedicado às 'fofocas' sobre homens e mulheres de destaque, pois era uma regra da direção que os leitores estavam mais interessados em gente do que em princípios. (...) A importância não residia em sua preocupação com os leitores de educação deficiente, mas na percepção de como este público poderia ser explorado comercialmente. ..." Cultura - PRISMAS E APARÊNCIAS - Fausto Brignol
"Com florzinhas nas lapelas, os senadores saíram da sua casa oficial. Foram recebidos por centenas de estranhas pessoas que não paravam de se beijar. Havia homens que pareciam mulheres e mulheres que pareciam homens. Todos pareciam ser alguma coisa que não eram, mas que desejariam ser. Pareciam manequins. E não paravam de se beijar. Os lábios já estavam roxos, mas não de frio."
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TOQUES Geral - RONDÔNIA: A OPERAÇÃO MAGNÍFICO JANUÁRIO - por JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE
"Quando este texto já havia sido enviado ao Diário do Amazonas para sua publicação, recebemos a noticia de que um grupo de 42 pistoleiros encapuzados e fortemente armados invadiu uma aldeia indígena Kaiowá Guarani, no Estado do Mato Grosso do Sul e matou o cacique Nísio Gomes, de 59 anos, com tiros de armas calibre 12, conforme denúncias do CIMI, confirmadas pela Funai à agência AFP. " Geral - SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO VIGIADO - FAUSTO BRIGNOL
"Todos aqueles brinquedos eletrônicos " como computadores e telefones celulares de todos os tipos " que você tem e utiliza diariamente, fazendo com que seja um consumidor nota dez são "cavalos de Tróia", espiões que passam às agências de pelo menos 25 países (o Brasil incluído) os seus pensamentos, gostos, ações, manias e desejos." Geral - SÓCRATES BRASILEIRO - FAUSTO BRIGNOL
Sócrates não fez mil gols nem foi chamado de rei. Não ganhou nenhuma estátua, nem foi bajulado pela imprensa especializada em futebol, que aceitava, contrariada, a sua inevitável presença. Não foi um jogador fabricado em escolinha para ser transformado em produto de marketing e fazer caras e bocas para os fotógrafos e cinegrafistas. Ele jamais aceitaria ser produto; nunca uma estereotipada marca de futebol com cifrões na camiseta e olhos arregalados pela ganância. Cultura - TEMPOS DIFÍCEIS - conto de JOSÉ SOLÁ
(...) "O amigo Gaspar, na primeira impressão, (e nestas coisas do social é quase sempre o que conta), não cativava muito os outros, não porque fosse pessoa antipática, daquele lote de pessoas irritantes que logo ficamos ansiosos para os ver pelas costas, não, mas porque mais parecia do género do tipo mosca morta, com má dicção, temas de conversa pouco atractivos para os mortais mais comuns; o homem não se interessava muito por desporto, e muito menos pelo chamado desporto rei, não manifestava interesse pelas músicas pimbas que facilmente nos ficam presas no ouvido, da canção nacional dizia tratar-se de um rosário de fatalismos e de tristezas, uma autentica desgraçaria, um desfiar de destinos feitos de propósito para suprir as necessidades de um povo empurrado para uma má qualidade de vida." (...) Cultura - OLHA O RAPA! - OTÁVIO MARTINS
Parecia locomover-se mais do que correndo, voava com a sua grande bolsa. Provavelmente, dentro dela toda a mercadoria que sobrara do seu dia de vendas, ali pelo Calçadão. Logo a seguir, deu pra ver a baita caminhoneta da Polícia Militar. Não sabia que a Policia Militar se encarregasse de perseguir vendedores ou pequenos comerciantes. Geral - OCCUPY WALL STREET - Naomi Klein
""Por que eles estão protestando?", perguntam-se os confusos comentaristas da TV. Enquanto isso, o mundo pergunta: "por que vocês demoraram tanto? A gente estava querendo saber quando vocês iam aparecer." E, acima de tudo, o mundo diz: "bem-vindos"." HISTÓRIA Cultura - O CALDEIRÃO QUE O DIABO ABOMINOU - por FERNANDO SOARES CAMPOS
"Há pouco mais de cem anos, bem no final do século XIX, ocorreu a Guerra de Canudos, quando, depois de algumas tentativas, finalmente tropas federais destruíram uma comunidade no interior da Bahia, matando seu líder, o beato Antônio Conselheiro, e milhares de resistentes, restando apenas alguns poucos idosos, mulheres e crianças." Cultura - ENTRANDO NO CHILE - por URDA ALICE KLUEGER, escritora.
(Excerto do livro "Viagem ao Umbigo do Mundo", publicado em 2006). Urda, amante das coisas latinas, nos dá a sua especialíssima visão sobre o Chile. Cultura - CABO ANSELMO E OUTROS TRAIDORES
Um traidor é um traidor e não há desculpas para um traidor. Um traidor não tem caráter, ideologia, sensibilidade, religião, amor, decência. Há sinônimo para traidor? Um traidor é um traidor. Redundantemente traidor. É alguém que leva à morte e à tortura muitas pessoas que nele confiavam e que não deve ser morto, executado, assassinado por ser traidor, porque isso seria um alívio para a sua consciência eternamente pesada. O único castigo para um traidor deve ser a denúncia de que ele é ou foi um traidor. Cultura - MATARAM KADHAFI - Fausto Brignol
"Kafhafi escreveu o "Livro Verde", que propunha uma terceira via entre o capitalismo e o comunismo. Uma terceira via que passava, inevitavelmente, pelo nacionalismo. E o nacionalismo é o maior entrave para que o império se expanda e domine a todos, transformando-os em conformados robôs. Porque o nacionalismo diz, simplesmente, que você deve ter amor ao seu país e não às multinacionais; que deve preservar o solo e a natureza e não entregá-lo à maior oferta. O nacionalismo propõe uma democracia participativa e não representativa." Cultura - A CONQUISTA DO PARALELO 33
Cultura - GOLPISMO - Fausto Brignol
"Há quem chame isso de golpismo, mas eu prefiro chamar de servilismo, porque golpes militares foram vários na história da nossa triste república, sendo que o mais cristalizado e acadêmico foi o de 1964, que teve como principal objetivo instituir a adoração do futebol pelo nosso humilhado e inconsciente povo e, de quebra, matar, torturar e prender comunistas e simpatizantes, mas, principalmente, prender, torturar e matar nacionalistas " que, para as Forças Armadas são os elementos mais nocivos à nação." |
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